domingo, 12 de abril de 2009

Vindimas

Uma das muitas vezes, pelo caminho já decorado, rapaz tão ganancioso quanto a sede de seu pai, fazia-se servo frente à justiça da nota de "quinhentos paus".
Até entrar naquele chão peganhento de que meu pai chamava "néctar dos deuses", por curtos momentos pensava como Vénus ainda aguentava Baco...
Eu ilibava-o facilmente, preferia antes manjericar a maneira mais rápida de aliviar aqueles quinhentos paus do meu bolso, não havia outro pensamento que ocupa-se todas aquelas pedras da calçada que separavam a minha porta com a porta do "grande Olimpo". Até que...chegara o dia em que a suave mão de Vénus falhara o ponto no bolso roto, era a tragédia, pobre trabalhador, tanto tempo a descontar sola do sapato para agora sofrer da greve do trabalhador... nunca ele imaginara seu fim ali rastejando naquele chão tão "abençoado" entre aqueles pés tão metediços sem rumo nem fronteira, receado pelo peso do tempo, o chefe exigia os seus bagos tinto. Pobre rapaz, caminho pra casa fez todo de cabiz baixo envolto em nenhuma esperança só o de cor lhe dava caminho, até que...chocou...porte suficientemente imponente ao seu embate julgara que fosse mais um dos parquímetros a que nunca dara conta... Mas não este era diferente não roubava dinheiro, muito pelo contrario...
Chamava-se Rui, outro deus, tal como o rapaz, ansioso por aliviar seu bolso da maneira mais fácil. Ele disse-lhe "Rapaz por esse andar, por esse olhar...perdeste alguma coisa?" pelos pés adivinhava a sobriedade, nem uma pinga de peganhosidade naquele sapato engraxado, demasiado sóbrio talvez. Respondeu "Perdi, perdi meu vicio, encontrou?", focou bem o rapaz, pensou, pensou e repensou... "Não apenas encontrei o meu..."

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